Curta Brasília – Post #2: Crítica “Sophia”

por Não são as imagens

No dia 20 de dezembro de 2014 no Cine Brasília foi exibido o programa 5 da mostra competitiva do Festival Curta Brasília, em sua terceira edição. Este programa se destinou a reunir os curtas-metragens de temática musical, sensorial. Os curtas desse programa foram ‘Sutil Encanto’ de Filipe Duque, ‘Monotonia’ de Tatiana Bevilacqua, ‘Araca – o samba em pessoa’ de Aqueles Eiterer, ‘Sophia’ de Kennel Rógis e ‘Ensaio sobre minha mãe’ de Jocimar Dias Jr.. Todos os filmes trazem à tona uma sensação lúdica, de uma imersão em um mundo muito particular e curioso. Somos convidados a mergulhar nessa magia e beleza durante o programa inteiro, de maneiras diferentes mas com uma sensação similar. A curadoria do Festival foi extremamente bem-sucedida em manter uma sensação presente em vários programas, se em todos este crítico não sabe dizer.

Um filme porém que “arrebentou a boca do balão” na estética e na história foi o curta ‘Sophia’. Este curta trata da relação de uma mãe e uma filha, inserindo-nos no papel da mãe, alheia ao universo particular e de difícil acesso da filha.

Sophia observa sua mãe pensativa.

Sophia observa sua mãe pensativa.

Pouco a pouco o diretor nos insere no cotidiano da mãe e nos vai revelando o quanto este mesmo universo revolve ao redor de sua filha, Sophia. Utiliza em sua maioria planos fechados focando nos detalhes, a máquina de costura da fábrica onde a mãe trabalha, o olhar de Sophia, e apenas abandona a aproximação intimista da câmera quando precisa narrar uma informação importante. A câmera retrata uma mãe que busca diariamente estar mais próxima de sua filha, de maneiras que não entendemos porque até o momento em que o diretor nos solta a bomba. Sophia é surda.

Sophia deitada no chão sentindo as vibrações que saem de uma caixa de aparelho de som.

Sophia deitada no chão sentindo as vibrações que saem de uma caixa de aparelho de som.

A força emocional do filme se consolida no momento em que essa informação fica clara e entendemos o comportamento da mãe até então. O próprio filme em si não possui diálogos, possui apenas os ruídos do som ambiente, simbolizando essa busca da mãe pelo silêncio, o mundo particular de Sophia.

Sem dúvidas o filme mais bonito desse programa. Se ganha prêmio não se sabe, mas que ganhou esse crítico, ah ganhou.

Sophia imersa em seu mundo particular.

Sophia imersa em seu mundo particular.

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Lucas Simões – 27 anos, formado em Cinema e Mídias pelo IESB, quase formado em engenharia, quase judoca, quase nadador e quase melhor namorado do mundo de várias garotas. Atualmente trabalha com cinema na função de roteirista e script doctor, exercendo ocasionalmente a alcunha de continuísta em curtas-metragem da região. Sua atividade foi de setembro de 2014 a março de 2015.