8 excelentes e ‘esquecidos’ filmes da filmografia de Alfred Hitchcock

por Daniel Lukan

Hitchcock possui algumas das principais obras da história do cinema mundial; Psicose, Vertigo, Os Pássaros e Janela Indiscreta são alguns exemplos. No entanto, podemos encontrar dentro de sua vasta filmografia exemplos que beiram a genialidade dos maiores título e que, por algum motivo, acabaram sendo desprezados ou, quando muito, recebendo o papel de coadjuvantes na grande história do mestre do suspense. Eis a lista:

  1. Young and Innocent (Jovem e Inocente) – 1937

YOUNG & INNOCENT

Baseado no romance de Josephine Tey, A Shilling for Candles, aborda um dos temas centrais na obra de Hitchcock: o inocente perseguido. Um dos últimos filmes ingleses do diretor é lembrado pela sequência no Grand Hotel na qual a identidade do verdadeiro assassino é revelada.

  1. Blackmail (Chantagem e Confissão) – 1929

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Outro filme da fase inglesa do diretor. Possui a importância histórica de ser o primeiro filmes sonoro de Hitchcock e também o primeiro filme sonoro do Reino Unido. É impressionante pela forte atmosfera psicológica criada e também por talvez ser uma das obras onde o diretor mais expõe sua forte influência expressionista, em Blackmail Hitchcock desenvolve muitas das técnicas de suspense que perpassam a maioria dos seus grandes filmes.

  1. Sabotage (O marido era o culpado) – 1936

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Filme bastante controverso. A narrativa como um todo não é das melhores dentre os filmes de Hitchcock. Contudo, a capacidade de manipulação das emoções por parte diretor fica evidente nas diversas cenas marcantes que podem ser destacadas do filme. Os maiores exemplos são: a tensão e o contraste entre rituais cotidianos e o impulso assassino, na cena da morte de Mr. Verloc; e a cena na qual acontece um atentado num ônibus no centro de Londres.

  1. Stage Fright (Pavor nos Bastidores) – 1950

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O primeiro filme americano de nossa lista também foi filmado na Inglaterra. Stage Fright é às vezes considerado um dos filmes mais fracos na carreira do diretor inglês. Abandonando um pouco o suspense e beirando muito o melodrama, Hitchcock cria uma história de personagens na qual um “quadrilátero” amoroso vira peça central de um enigmático mistério. Além disso, vale destacar a sempre brilhante presença de Marlene Dietrich.

  1. Saboteur (Sabotador) – 1942

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Mais uma história de acusação errônea. Barry Kane é acusado de sabotar um incêndio que mata seu amigo. Tentando provar sua inocência ele atravessa o país todo e se envolve em várias situações cercadas de inimigos e traidores. A trama muito boa acaba nos prendendo ao longo de todo o filme e a cena final na Estátua da Liberdade no faz lembrar o que viria a ser a sublime cena no Monte Rushmore em North by Northwest.

  1. Suspicion (Suspeita) – 1941

Suspicion

Primeiro filme de Cary Grant com o diretor, Suspicion foi, inclusive, indicado ao Oscar de Melhor Filme e Joan Fontaine venceu o de Melhor Atriz. A história possui uma tensão psicológica parecida com a que iria repercutir em Gaslight (1944), de George Cukor; contudo, os desfechos das histórias são bem distintos. Os moldes narrativos de Hollywood modificam o romance Before the fact (Francis Iles) do qual o filme é originado, mas ainda assim é impressionante o modo como Hitchcock consegue manter o suspense tão forte e prolongado por grande parte do filme. Bastante lembrado pela cena em que Cary Grante sobe as escadas carregando um copo de leite, o filme merecia muito mais atenção pela forma como consegue ritmar a tensão, o suspense e o clima de suspicion.

  1. Lifeboat (Um barco e nove destinos) – 1944

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Mais uma história de personagens. Lifeboat – tal como Festim Diabólico – transforma um cenário minúsculo em algo grandioso e até mesmo sublime. Apesar de três indicações dentre as principais categorias do Oscar, o filme é esquecido num contexto geral, embora até seja lembrado por um público mais específico. Aqui Hitchcock consegue explorar detalhes do caráter e da moral humana numa situação de completo desespero e desesperança. Uma aula de direção que expõe como é possível retirar de um contexto mínimo (9 pessoas confinadas num barco) uma história extremamente densa e envolvente.

  1. I Confess (A tortura do silêncio) – 1953

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No filme, um padre ouve a confissão de um fiel que acabou de cometer um assassinato, um tempo depois o padre vira o principal suspeito do crime; logo, o filme vira um dilema moral entre a responsabilidade como padre de manter sigilo e a necessidade de livrar-se da falsa acusação. Produzido na década mais importante da carreira do diretor, I Confess talvez perca um pouco o brilho perto de verdadeiras obras-primas do cinema (Pacto Sinistro, Janela IndiscretaUm corpo que cai, etc.); contudo, o excelente clima noir e a forte tensão dramática do dilema moral do padre são excelentes aperitivos dessa que talvez seja a maior das obras “menores” de Hitchcock.