Os 10 melhores filmes surrealistas do Japão

por Elias Fontele Dourado

O surrealismo japonês é um deleite aos olhos, verdadeira revolução na linguagem. Alguns filmes são tão absurdos que não sabemos se damos risada ou procuramos alguma explicação elaborada para tal.

10. O Enforcamento (1968) 

Direção: Nagisa Ôshima 

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Um coreano é sentenciado à morte por enforcamento, mas sobrevive à execução. Nas duas horas seguintes, os executores tentam descobrir uma forma de lidar com a situação.

http://www.imdb.com/title/tt0063198/

9. Tetsuo: O Homem de Ferro (1989) 

Direção: Shin’ya Tsukamoto 

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Tetsuo é um filme de ficção científica influenciado pelo Cyberpunk sobre a intersecção do homem e uma tecnologia post-industrial acompanhada por uma apropriada banda sonora de música industrial. O filme é realizado em preto e branco, o que ainda mais acentua o lado obscuro e alucinatório de toda a narrativa. O filme começa com um punk que é atropelado por um condutor que se põe em fuga. Gravemente ferido, o jovem punk reconstrói o seu corpo mutilado com pedaços de metal, tornando-se Robopunk.

http://www.imdb.com/title/tt0096251/

8. Introdução à Antropologia (1966) 

Direção: Shôhei Imamura

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Subu faz filmes pornográficos. Ele não vê nada de errado nisso. Eles são uma solução para uma sociedade reprimida, e ele usa o dinheiro que ganha para manter sua companheira, Haru, e sua família. De tempos em tempos, Haru divide sua cama com Subu, apesar dela achar que o seu marido morto, reencadernado em uma carpa, desaprove. O diretor Shohei Imamura sempre se deliciou em explorar vidas decadentes, e nesse clássico de 1966, ele cria um humor subversivo na dinâmica entre Haru, seu filho edipiano, e sua filha, a verdadeira obsessão do pornógrafo. O tratamento que Imamura dá a tais tabus como voyeurismo e incesto levantou controvérsias quando o filme foi lançado, mas “Introdução à Antropologia” superou as críticas passadas e hoje é tido como um filme muito à frente do seu tempo.

http://www.imdb.com/title/tt0060560/

7. Sho o suteyo machi e deyou (1971)

Direção: Shûji Terayama

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Alternando entre um estudo psicológico sobre a alienação e perda de direitos, e uma chamada urgente pela militância e atuação sociopolítica revolucionária da geração do final dos anos 60, a delirante montagem de Terayama de imagens fragmentadas, não sequenciais e desbalanceadas reflete a incerteza e o caos interior de um empobrecido – e apropriadamente anônimo – jovem, e de sua família igualmente disfuncional: o pai desempregado e voyeur, uma avó deliberadamente mentirosa, e uma irmã cuja ligação afetiva com seu coelho de pelúcia transformou-se numa obsessão bestial.

http://www.imdb.com/title/tt0228853/

6. O Funeral das Rosas (1969) 

Direção: Toshio Matsumoto 

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No primeiro filme de Toshio Matsumoto aparentemente nada é tabu: nem a inclusão de ornamentos visuais vindos diretamente do mundo do design gráfico, da pintura, quadrinhos e da animação contemporânea, nem a mostra convicta de nudez, de sexo, de consumo de drogas e de casas de banho públicas. Mas entre todas as “transgressões” que aqui figuram, há talvez uma que sobressai mais: o retrato inovador e sem concessões que o filme apresenta da subcultura gay japonesa.

http://www.imdb.com/title/tt0064068/

5. Saraba hakobune (1984) 

Direção: Shûji Terayama 

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Para evitar o relacionamento entre Su-e e seu primo Sutekichi, o pai de Su-e a obriga a usar um cinto de castidade. As humilhações provocadas pelos outros habitantes do vilarejo levam Sutekichi a atitudes extremas cujas consequências acabam por enlouquecê-lo.

http://www.imdb.com/title/tt0088041/?ref_=nm_knf_i1

4. Uma Página de Loucura (1926) 

Direção: Teinosuke Kinugasa 

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O filme conta a história de um marinheiro que se emprega como faxineiro em um manicômio para libertar sua esposa, que fora internada após uma tentativa de suicídio depois de ter afogado seu filho. Sem o uso de inter títulos e através de um sequência impressionante de imagens, é apresentada uma visão do mundo pelos olhos dos doentes mentais. Dado como perdido por mais de 40 anos, o filme foi recuperado pelo diretor em 1971, por uma cópia encontrada escondida em um vaso no galpão de seu jardim.

http://www.imdb.com/title/tt0017048/?ref_=fn_al_tt_1

3. Hausu (1977) 

Direção: Nobuhiko Ôbayashi 

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Gorgeous estava excitada com a ideia de passar as férias de verão com o seu pai, até descobrir que a namorada dele iria junto. Então, ela decide ir a casa no campo de sua tia, levando consigo suas amigas de escola – Fantasy (que gosta de tirar fotos e devaneia a maior parte do tempo), Kung Fu (que tem ótimos reflexos), Sweet (que adora limpar), Prof (uma super nerd), Mac (que come muito), e Melody (uma musicista). Chegando na casa, eventos bizarros começam a ocorrer e as garotas começam a desaparecer uma a uma enquanto descobrem o segredo por trás de toda a aparente loucura. Tudo isso em um tom satírico e por vezes surreal.

http://www.imdb.com/title/tt0076162/?ref_=fn_al_tt_1

2. Den-en ni shisu (1974) 

Direção: Shûji Terayama

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Situado em um sonho sobre o Japão rural, a história inicia-se sobre um garoto adolescente que tenta fugir da sufocante proteção de sua mãe e depois transporta-se para o desejo de um cineasta que busca enfrentar seu passado. Existe também um esforço para conciliar o indivíduo com o coletivo, além do antigo com o novo Japão através de um desfile de imagens emblemáticas.

http://www.imdb.com/title/tt0071406/?ref_=fn_al_tt_1

1. A Mulher da Areia (1964) 

Direção: Hiroshi Teshigahara 

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Um entomologista amador resolve sair da cidade e passar o fim de semana numa área desértica do Japão, a fim de coletar insetos raros. Ele pernoita numa casa onde habita uma estranha mulher. Logo ele vai perceber que caiu em uma armadilha sem saída. Obra-prima de Teshigahara. Adaptação do romance de Kobo Abe.

http://www.imdb.com/title/tt0058625/