60 documentários brasileiros essenciais

por Elias Fontele Dourado

A presente lista não possui uma hierarquia de melhor ou pior, são apenas sessenta importantes documentários do cinema brasileiro, que merecem ser vistos e apreciados. Naturalmente, por ser um recorte, muitos outros bons documentários ficam de fora, situação que pode ser melhorada em uma outra lista futura.

1. ABC da greve (1990)

Direção: Leon Hirszman

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O filme cobre os acontecimentos na região do ABC paulista, acompanhando a trajetória do movimento de 150 mil metalúrgicos em luta por melhores salários e condições de vida. Sem obter êxito em suas reivindicações, decidem-se pela greve, afrontando o governo militar. Este responde com uma intervenção no sindicato da categoria. Mobilizando numeroso contingente policial, o governo inicia uma grande operação de repressão. Sem espaço para realizar suas assembleias, os trabalhadores são acolhidos pela igreja. Passados 45 dias, patrões e empregados chegam a um acordo. Mas o movimento sindical nunca mais foi o mesmo.

2. Cabra marcado para morrer (1984)

Direção: Eduardo Coutinho

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Início da década de 60. Um líder camponês, João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste. As filmagens de sua vida, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. Dezessete anos depois, o diretor retoma o projeto e procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos, espalhados pela onda de repressão que seguiu ao episódio do assassinato. O tema principal do filme passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar.

3. Conterrâneos Velhos de Guerra (1991)

Direção: Vladimir Carvalho

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Em 1959 pessoas de diversas partes do Brasil, porém especialmente do nordeste, chegam à Brasília para trabalhar na construção da futura capital brasileira. Assim como os canteiros de obra se espalham no meio do nada, os abusos aos trabalhadores também. As histórias dessas pessoas que ficaram conhecidas como candangos, as humilhações que sofreram, e as péssimas condições de trabalho levaram a um grande número de mortes.

4. Edifício Master (2002)

Direção: Eduardo Coutinho

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O cotidiano dos moradores do Edifício Master, situado em Copacabana, a um quarteirão da praia. O prédio tem 12 andares e 23 apartamentos por andar. Ao todo são 276 conjugados, onde moram cerca de 500 pessoas. Eduardo Coutinho e sua equipe entrevistaram 37 moradores e conseguiram extrair histórias íntimas e reveladoras de suas vidas.

5. Entreatos (2004)

Direção: João Moreira Salles

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De 25 de setembro a 27 de outubro de 2002 a equipe de filmagem acompanhou passo a passo a campanha de Luís Inácio Lula da Silva à presidência da República. O filme revela os bastidores de um momento histórico através de material exclusivo, como conversas privadas, reuniões estratégicas, telefonemas, traslados, gravações de pronunciamentos e programas eleitorais.

6. Garrincha – Alegria do Povo (1963)

Direção: Joaquim Pedro de Andrade

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Vida e carreira de um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos e para muitos, simplesmente “o maior”. No ano de produção, Garrincha estava no auge e seus dribles desconcertantes nas Copas do Mundo de 1958 e 1962, e Botafogo FC foram levados às telas

7. Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (2003)

Direção: Silvio Tendler

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A vida e a morte de Glauber Rocha, o polêmico cineasta baiano que revolucionou o cinema, promovendo uma radical revisão na cultura brasileira. Imagens do enterro, depoimentos recentes de quem acompanhou sua trajetória, seus pensamentos e idéias explodem na tela num filme-tributo à memória de um artista que idealizava um cinema independente e libertário.

8. Ilha das Flores (1989)

Direção: Jorge Furtado

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Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. O filme segue-o até seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.

9. Jango (1984)

Direção: Silvio Tendler

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Década de 60, Guerra Fria. No Brasil, João Belchior Marques Goulart, mais conhecido como “Jango”, um líder de esquerda e então presidente do país, se encontra em uma crise com ambos lados da política e sofre um golpe militar que resultaria em uma ditadura de três décadas. Importantes intelectuais e personalidades que participaram dessa fase concedem entrevistas para o documentário que retrata um dos mais marcantes momentos políticos do Brasil.

10. Jogo de Cena (2007)

Direção: Eduardo Coutinho

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Atendendo a um anúncio de jornal, 83 mulheres contaram sua história de vida em um estúdio. 23 delas foram selecionadas, em junho de 2006, e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano várias atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas por estas mulheres, borrando as tênues linhas que separam a realidade da ficção.

11. Janela da Alma (2001)

Direção: João Jardim, Walter Carvalho

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Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo. O escritor e prêmio Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, o fotógrafo cego franco-esloveno Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta Severo, o vereador cego Arnaldo Godoy, entre outros, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade ­ se é que ela é a mesma para todos.

12. Lixo Extraordinário (2010)

Direção: Lucy Walker, Karen Harley

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Uma análise sobre o trabalho do artista plástico Vik Muniz no Jardim Gramacho, localizado na cidade de Duque de Caxias (RJ), que é um dos maiores aterros sanitários do mundo.

13. Person (2007)

Direção: Marina Person

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A obra, a vida e a história de Luiz Sérgio Person, publicitário e jornalista que também trabalhou no cinema e no teatro, narradas através de imagens de arquivo do próprio Person e trechos de suas obras. Ao longo de sua carreira dirigiu 5 filmes, entre eles “São Paulo S/A” e “O Caso dos Irmãos Naves”, até falecer em um acidente automobilístico antes mesmo de completar 40 anos.

14. Notícias de uma guerra particular (1999)

Direção: Kátia Lund, João Moreira Salles

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Documentário que conta a história da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro, e outras cidades do Brasil. Um cenário de policiais corruptos, traficantes e usuários em que todos estão submetidos à uma grande guerra diária.

15. Nós que aqui estamos por vós esperamos (1999)

Direção: Marcelo Masagão

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Um filme-memória sobre o século XX, a partir de uma poética e criativa linguagem de montagem de recortes biográficos reais e ficcionais (como fotografias, filmes clássicos e outros tipos de registros audiovisuais) de pequenos e grandes personagens que viveram neste século, de forma a resumir e definir o espírito dessa época.

16. O dia que durou 21 anos (2012)

Direção: Camilo Tavares

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Este documentário mostra a influência do governo dos Estados Unidos no Golpe de Estado no Brasil em 1964. A ação militar que deu início a ditadura contou com a ativa participação de agências como CIA e a própria Casa Branca. Com documentos secretos e gravações originais da época, o filme mostra como os presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson se organizaram para tirar o presidente João Goulart do poder e apoiar o governo do marechal Humberto Castelo Branco.

17. Ônibus 174 (2002)

Direção: José Padilha, Felipe Lacerda

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Uma investigação cuidadosa, baseada em imagens de arquivo, entrevistas e documentos oficiais, sobre o sequestro de um ônibus em plena zona sul do Rio de Janeiro. O incidente, que aconteceu em 12 de junho de 2000, foi filmado e transmitido ao vivo por quatro horas, paralisando o país. No filme a história do sequestro é contada paralelamente à história de vida do sequestrador, intercalando imagens da ocorrência policial feitas pela televisão. É revelado como um típico menino de rua carioca transforma-se em bandido e as duas narrativas dialogam, formando um discurso que transcende a ambas e mostrando ao espectador porque o Brasil é um país é tão violento.

18. Olhar estrangeiro (2006)

Direção: Lúcia Murat

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Uma reflexão sobre a visão preconceituosa e estereotipada que o cinema mundial tem sobre o Brasil, através de entrevistas com diretores, roteiristas, atores e outras personalidades da indústria do cinema do mundo todo que já estiveram envolvidas em produções relacionadas – direta ou indiretamente – com o Brasil.

19. Santiago (2007)

Direção: João Moreira Salles

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Em 1992 o diretor João Moreira Salles planejou o documentário “Santiago”, baseado na vida do mordomo da casa de sua família. Devido à sua incapacidade em editar as cenas filmadas, o longa-metragem nunca foi concluído. Em 2005 o diretor voltou a trabalhar sobre as cenas gravadas, encontrando outro foco no material rodado.

20. Arquitetura, a transformação do espaço (1972)

Direção: Walter Lima Jr.

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Primeiro documentário de Walter Lima Jr. e seu primeiro trabalho para a televisão, dentro da série “Globo Shell Especial”. Um filme em três movimentos. No primeiro, uma síntese histórica da arquitetura brasileira, da casa grande/senzala ao prédio do Ministério da Educação. No segundo, arquitetos como Burle Marx, Lina Bo Bardi, Grigori Warchavchik e Joaquim Cardoso discorrem sobre a função social da arquitetura. No terceiro, habitantes de várias cidades brasileiras falam sobre o espaço em que vivem. Com esse filme, o autor lança a casa como tema decorrente de sua obra documental. Focaliza avenidas, fachadas e monumentos, em sucessões de travellings elegantes, e quebra o formalismo da narração e dos depoimentos com um trabalho jornalístico nas ruas, entrevistando peões, estudantes e transeuntes anônimos.

21. O País de São Saruê (1971)

Direção: Vladimir Carvalho

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Inspirado no título de um cordel do conhecido autor paraibano Manoel Camilo dos Santos, O País de São Saruê é um filme inspirado nas relações do homem com a natureza no sertão nordestino, onde predomina a luta contra a seca, o latifúndio e a miséria desde os tempos da colônia. É uma tentativa de se resgatar a memória de fatos antigos, os usos e costumes que distinguem essa região das demais.

22. O Mercado de Notícias (2014)

Direção: Jorge Furtado

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Jornalistas renomados discutem o papel da mídia e sua influência na democracia entre atos da peça cômica “O Mercado de Notícias”, de Ben Jonson. Uma viagem no tempo desde o surgimento da imprensa, no século XVII, até os dias de hoje, em que a sede por informação é cada vez maior.

23. Senta a Pua! (1999)

Direção: Erik de Castro

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No dia 6 de outubro de 1944, os integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça do Brasil desembarcaram no porto de Livorno, na Itália, para participar da 2ª Guerra Mundial, integrando o 350º Fighter Squadron. Faziam parte do grupo 466 pessoas: 49 pilotos e 417 homens de apoio. A saga do 1º Grupo contada por seus próprios pilotos, veteranos do mais importante conflito bélico deste século, cujas ações foram de fundamental relevância para a garantia da vitória aliada na Europa.

24. Cidadão Boilesen (2009)

Direção: Chaim Litewski

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Através de diversos depoimentos, o documentário revela as ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do famoso grupo Ultra, da Ultragaz, com a ditadura militar. Seu apoio, assim como de muitos outros empresários, financeiro ao movimento de repressão violenta e também a sua participação na criação da temível Oban – Operação Bandeirante, espécie de pedra fundamental do Doi-Codi.

25. Muito além do Cidadão Kane (1993)

Direção: Simon Hartog

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O documentário é resultado da análise do suposto apoio da Rede Globo à ditadura militar brasileira, além da sua parceria ilegal com o grupo americano Time Warner. O longa apresenta as tentativas de manipulação da emissora de Roberto Marinho, como o auxílio dado à tentativa de fraude nas eleições fluminenses de 1982, para impedir a vitória de Leonel Brizola, a cobertura tendenciosa do movimento das Diretas-Já, em 1984, e da articulação da emissora para favorecer o candidato Fernando Collor nas eleições presidenciais.

26. Peões (2004)

Direção: Eduardo Coutinho

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A história pessoal de trabalhadores da indústria metalúrgica do ABC paulista que tomaram parte no movimento grevista de 1979 e 1980, mas permaneceram em relativo anonimato. Eles falam de suas origens, de sua participação no movimento e dos caminhos que suas vidas trilharam desde então. Exibem souvenirs das greves, recordam os sofrimentos e recompensas do trabalho nas fábricas, comentam o efeito da militância política no âmbito familiar, dão sua visão pessoal de Lula e dos rumos do país.

27. Um Passaporte Húngaro (2001)

Direção: Sandra Kogut

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Através do pedido de um passaporte, Sandra Kogut guia este documentário, partindo em busca da história de sua família, dividida entre dois mundos e dois exílios: aqueles que se foram e aqueles que permaneceram onde estavam, os imigrantes que chegaram ao Brasil na década de 40 em decorrência da Segunda Guerra e os que não puderam sair da Hungria.

28. Todos os corações do mundo (1995)

Direção: Murilo Salles

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Documentário oficial da FIFA sobre a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, no ano em que o Brasil consagrou-se tetracampeão contra a Itália em disputa por pênaltis. Um recorte notável e divertidos sobre os jogadores, o futebol, os juízes e todos os corações apaixonados pelo esporte mais popular do planeta.

29. Simonal – Ninguém sabe o duro que dei (2009)

Direção: Micael Langer, Calvito Leal

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A trajetória do ex-cabo do exército Wilson Simonal, que se tornou cantor de grande sucesso nos anos 60. Lançado por Carlos Imperial, Simonal vendeu milhões de discos e lotou estádios em seus shows até ser condenado ao ostracismo devido à acusação de que era informante da ditadura militar, o que sempre negou.

30. Crítico (2008)

Direção: Kleber Mendonça Filho

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Crítico profissional de cinema e diretor de curtas, o documentário segue os questionamentos pessoas de quem está situado na indústria cultural tanto como cineasta, como também observador da arte e da indústria do áudio-visual. Os registros começaram em 1998 e seguiram até 2007, ocorridos no Brasil, Estados Unidos e Europa, com cineastas e críticos do mundo inteiro. Trata-se de uma janela para uma arte cada vez mais julgada por mecanismos de mercado e que luta para permanecer humana tanto no fazer, como no observar.

31. República Guarani (1981)

Direção: Sylvio Back

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Através de imagens de arquivos e depoimentos de célebres historiadores das mais diversas nacionalidades e linhas de pesquisa, Sílvio Back remonta os passos das missões jesuíticas que aportaram no Brasil e na América do Sul no século dezessete para compreender as formações e os costumes das antigas comunidades indígenas nativas que foram dizimadas pelo homem branco.

32. Do Luto à Luta (2005)

Direção: Evaldo Mocarzel

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Uma análise das deficiências e potencialidades da Síndrome de Down, problema genético que atinge cerca de 8 mil bebês a cada ano no Brasil. A Síndrome de Down é sem dúvida um problema, mas as soluções são bem mais simples do que se imagina, principalmente quando são deixados de lado os preconceitos e estigmas sociais.

33. Nem tudo é verdade (1986)

Direção: Rogério Sganzerla

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O filme reconstitui a visita ao Brasil do cineasta americano Orson Welles para filmar o documentário It’s All True (Tudo é Verdade). Movido por idealismo cívico e na trilha da chamada política da boa vizinhança, implantada pelo presidente norte-americano Franklin Roosevelt, Welles apaixona-se pelas coisas brasileiras.

34. O Velho – A História de Luiz Carlos Prestes (1997)

Direção: Toni Venturi

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O documentário apresenta ao público a trajetória pessoal e política de Luiz Carlos Prestes. Conhecimento pela sua participação ativa no Partido Comunista Brasileiro, e foi eleito um dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos, por concurso realizado pelo SBT e pela BBC em 2012.

35. Santo Forte (1999)

Direção: Eduardo Coutinho

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Entre uma missa campal celebrada pelo Papa no Aterro do Flamengo e, meses depois, a comemoração do Natal, o documentário penetra na intimidade dos católicos, umbandistas e evangélicos de uma favela carioca. Cada um a seu modo, eles crêem na comunicação direta com o sobrenatural através da intervenção de santos, orixás, guias ou do Espírito Santo.

36. Quebrando o tabu (2011)

Direção: Fernando Andrade, Cosmo Mellen

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Há 40 anos os EUA levaram o mundo a declarar guerra às drogas, numa cruzada por um mundo livre de drogas. Mas os danos causados por elas nas pessoas e na sociedade só cresceram. Abusos, informações equivocadas, epidemias, violência e fortalecimento de redes criminosas são os resultados da guerra perdida numa escala global. Assim, vozes de realidades diversas e de várias partes do mundo conversam sobre possíveis soluções, mudanças de opinião, princípios e conclusões. Pessoas comuns que tiveram suas vidas marcadas pela Guerra às Drogas e até médicos renomados falam sobre suas experiências.

37. São Paulo, Sinfonia da Metrópole (1929)

Direção: Adalberto Kemeny, Rudolf Rex Lustig

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A cidade de São Paulo no final da década de 20. Urbanismo, moda, monumentos públicos, industrialização, fatos históricos, expansão do café, educação, o burburinho do cotidiano. Baseado no clássico “Berlim – Sinfonia de uma cidade”, os húngaros Adalberto Kemeny e Rodolfo Lustig, donos de um dos melhores laboratórios de cinema com que contávamos na época, produziram esse documentário.

38. Viramundo (1965)

Direção: Geraldo Sarno

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Filme da Caravana Farkas, um documento sobre os nordestinos que, atraídos pela riqueza do sul, chegam a São Paulo para procurar emprego melhor que o da roça. Mostra o fim da ilusão, a vontade de voltar e o remédio da grande cidade ao desemprego e à miséria: a caridade e a fuga pelo misticismo.

39. Mato Eles? (1982)

Direção: Sergio Bianchi

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Segundo trabalho de Bianchi, trata-se de um documentário curta-metragem experimental, rodado em 16 mm, no qual o diretor tenta mostrar a vida dos índios. Tenta, porque em determinado momento Bianchi pergunta para si mesmo (em voz alta, para o espectador ouvir) o que afinal está fazendo com este filme sobre os índios: ”Mato eles?”, responde ele mesmo com outra pergunta.

40. Imagens do Inconsciente (1987)

Direção: Leon Hirszman

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“São três artistas. Três histórias de vida. Três casos clínicos”. Uma trilogia em que o realizador procurou “uma linguagem cinematográfica que permitisse narrar os filmes a partir dos próprios trabalhos pintados pelos artistas”, no serviço de terapia ocupacional e reabilitação criado em 1946 pela Dra. Nise da Silveira, no Centro Psiquiátrico Pedro II. São pinturas, desenhos e modelagens que “expressam o mundo interior de três artistas”, Fernando Diniz (“a pintura em luta constante contra o caos para recuperar o espaço cotidiano”), Adelina Gomes (“a pintura em luta para expulsar os fantasmas e recuperar a condição feminina”) e Carlos Pertuis(“a dolorosa busca da consciência da humanidade pelas lendas”). O filme é dividido em três episódios: Fernando Diniz – Em busca do espaço cotidiano; Adelina Gomes – No reino das mães; Carlos Pertuis – A barca do sol.

41. História do Brasil (1973)

Direção: Glauber Rocha

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Documentário sobre a história do Brasil feito por Glauber Rocha e Marcos Medeiros. O filme foi feito enquanto Glauber estava no exílio, entre Cuba e Roma, de 1971 a 1973.

42. Triste Trópico (1974)

Direção: Arthur Omar

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Triste Trópico (título que faz alusão ao livro de Claude Lévi-Strauss) conta a trajetória do médico Arthur, que após estudar na Europa, volta ao Brasil e acaba se transformando em uma figura messiânica.
Seus passos são narrados pela voz, por vezes irônica, de Othon Bastos, mesclando-se com as imagens documentais trazidas pelo diretor Arthur Omar.

43. Di Cavalcanti Di Glauber (1977)

Direção: Glauber Rocha

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Di Cavalcanti Di Glauber”, ou “Ninguém Assistiu ao Formidável Enterro de Sua Última Quimera; Somente a Ingratidão, Essa Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável”, é uma curta polêmica, quando o pintor brasileiro Emiliano Di Cavalcanti morreu, Glauber Rocha foi ao funeral com uma câmera na mão e uma idéia (discutível) na cabeça. Glauber filmou o enterro, o corpo no caixão, enquanto a família de Di, aos berros, pedia para ele ir embora. Ao fundo, tocava o samba-funk “Umbabarauma, Homem Gol”, na voz de Jorge Ben Jor. Premiado no festival de Cannes, mais tarde o filme foi proibido pela justiça brasileira, a pedido dos familiares de Di, alegando que Glauber desrespeitou o funeral e transformou aquele momento sagrado num carnaval.

44. A Alma do Osso (2010)

Direção: Cao Guimarães

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Gradativamente, o documentário revela a existência aparentemente isolada de Dominguinhos, 72 anos, um ermitão que vive numa caverna encravada numa montanha de pedra. Construído com longos silêncios onde o ermitão executa as tarefas do dia a dia, como cozinhar e limpar, e com imagens que vão para além do seu território, descobrimos, no final, que na vida do ermitão o silêncio é o lugar comum, o estado normal em que o tempo passa. A fala é o estado de exceção.

45. Serras da Desordem (2006)

Direção: Andrea Tonacci

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Carapirú é um índio nômade que, após ter seu grupo familiar massacrado num ataque surpresa de fazendeiros, consegue escapar e viver, durante 10 anos, perambulando pelas serras do Brasil central. Capturado em novembro de 1988, a dois mil quilômetros de distância de seu ponto de partida, é levado pelo sertanista Sydney Possuelo para Brasília. Sua história ganha as páginas dos jornais, gerando polêmica entre historiadores e antropólogos em relação à sua origem e identidade. É identificado como um Guajá por um índio intérprete, órfão de 18 anos, que havia sido resgatado, há 10 anos, pelo próprio sertanista, dos maus tratos de um fazendeiro. Mais uma surpresa do destino: os dois índios reconhecem-se como pai e filho, sobreviventes do massacre de 10 anos antes, ambos acreditando-se mortos. O elenco é formado pelas próprias pessoas que viveram os fatos.

46. Aruanda (1960)

Direção: Linduarte Noronha

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Aruanda é um marco do cinema brasileiro. O filme de Linduarte Noronha surpreendeu as platéias do Rio de Janeiro e São Paulo quando de suas primeiras exibições, em 1960. A história da formação e da sobrevivência de uma comunidade de escravos libertos do sertão da Paraíba aparecia na tela com imagens a um só tempo líricas e rudes. Um narrador (o próprio Linduarte) explicava a saga daquela gente e a fotografia de Rucker Vieira revelava um jeito novo de olhar o Brasil.

47. A cidade é uma só (2012)

Direção: Adirley Queiroz

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Reflexão sobre os 50 anos de Brasília, tendo como foco a discussão sobre o processo permanente de exclusão territorial e social que uma parcela considerável da população do Distrito Federal e do Entorno sofre, e de como essas pessoas restabelecem a ordem social através do cotidiano. O ponto de partida dessa reflexão é a chamada Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), que, em 1971, removeu os barracos que ocupavam os arredores da então jovem Brasília. Tendo a CEILÂNDIA como referência histórica, os personagens do filme vivem e presenciam as mudanças da cidade.

48. A pessoa é para o que nasce (2005)

Direção: Roberto Berliner

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Três irmãs cegas. Unidas por esta incomum peripécia do destino, Regina, Maria e Conceição viveram toda sua vida cantando e tocando ganzá em troca de esmolas nas cidades e feiras do Nordeste do Brasil. O filme acompanha os afazeres cotidianos destas mulheres e revela suas curiosas estratégias de sobrevivência, das quais participam parentes e vizinhos. Acompanha também, numa reviravolta inesperada, o efeito do cinema na vida destas mulheres, transformando-as em celebridades.

49. Acidente (2006)

Direção: Cao Guimarães

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Um poema composto por nomes de 20 cidades com até seis mil habitantes ganha forma por meio de sons e imagens produzidos pelo imprevisto do encontro entre a equipe de filmagem e personagens reais. Cada palavra do poema é um nome de cidade e cada cidade, um ponto do percurso. Num movimento de imersão e submersão, o filme desliza por esses lugares através de duas camadas narrativas. Uma formada pela história do poema e outra, pelos eventos ordinários que surgem acidentalmente diante da câmera em cada uma das cidades. Percepção aberta para deixar-se mesclar ao cotidiano de cada lugar e atenta para eleger um acontecimento qualquer, possível de se relacionar com o poema e capaz de revelar o quanto a vida é imprevisível e acidental.

50. Onde a Terra Acaba (2002)

Direção: Sérgio Machado

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Uma análise sobre a carreira e obra do cineasta Mário Peixoto (1908-1992), tendo por base trechos de diários, entrevistas e cartas do próprio Mário Peixoto, fotos de seus filmes e ainda cenas inéditas de um filme inacabado seu.

51. Tudo é Brasil (1997)

Direção: Rogério Sganzerla

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Fragmentos de cine-jornais organizados pelo diretor num filme-ensaio, com conteúdo e forma que desafiam a atenção do espectador. Traz cenas inéditas e imagens dos bastidores do filme americano It’s All True, dirigido e rodado no Brasil por Orson Welles na década de 40.

52. O Fio da Memória (1991)

Direção: Eduardo Coutinho

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Filmado originalmente em 16mm, realizado de 1988 (centenário da abolição) a 1991, no Estado do Rio, o filme procura condensar, em personagens e situações do presente, a experiência negra no Brasil, a partir de dois eixos. De um lado, as criações do imaginário, sobretudo na religião e na música, e, do outro, a realidade do racismo, responsável pela perda de identidade étnica e marginalização de boa parte dos cerca de 60 milhões de brasileiros de origem africana. O fio condutor do filme é o trabalhador de salina e artista semi-analfabeto, Gabriel Joaquim do Santos, que construiu a Casa da Flor, feita de restos de obras e fragmentos retirados do lixo, em São Pedro da Aldeia, no interior fluminense. Ligando temas e personagens, a vida de Gabriel, contada por ele mesmo, revela o esforço obsessivo de um homem para deixar marcas de sua existência no mundo.

53. Theodorico, Imperador do Sertão (1978)

Direção: Eduardo Coutinho

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É a primeira grande obra que se tem notícia sobre a vida do “majó” Theodorico Bezerra. Mostra-se inovadora, embora não seja revolucionária, e critica a realidade brasileira ao problematizar, de maneira distinta, a condição do povo sertanejo do período. No documentário, Eduardo Coutinho consegue centralizar a história em apenas um personagem, o próprio major Theodorico Bezerra, que narra inteiramente o filme de sua vida, entrevistando pessoas e falando de suas ideias.

54. Bandeirantes (1940)

Direção: Humberto Mauro

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A epopeia do desbravamento e da conquista do território, na procura do ouro e das pedras preciosas. As grandes bandeiras e os principais bandeirantes, destacando-se a figura de Fernão Dias Paes Leme e a lenda das esmeraldas, no famoso poema de Olavo Bilac.
Referente ao “ciclo de desbravamento”, alguns aspectos da função de São Paulo e episódios da catequese de índios por Anchieta e de fatos que tiveram participação de João Ramalho e do cacique Tibiriçá. A penetração de Raposo Tavares pelo oeste brasileiro, superando as dificuldades e a sua chegada ao Forte de Gurupá, no Pará – depois de haver descido o rio Madeira, subido o Amazonas, o rio Napo, até Quito; e seu regresso a Quitaúna, em São Paulo. Em seguida, o roteiro de Fernão Dias Paes Leme pelo interior de Minas e sua morte causada pela malária.

55. Boca de Lixo (1992)

Direção: Eduardo Coutinho

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O cenário, à primeira vista, pode chocar: um ponto de escoamento de lixo em São Gonçalo, município do Rio de Janeiro. Seringas usadas, comida em estado de decomposição, um estado de miséria absoluta. Pessoas selecionam objetos e comida que possam ser reaproveitados; o que foi rejeitado por uma pessoa serve como fator de sobrevivência para esta. O cenário desalentador não exprime o estado de espírito dos catadores. Há um conjunto de integridade e valores que superam todo aquele estado, e a câmera de Coutinho é a responsável por essa aproximação.

56. Braços Cruzados, Máquinas Paradas (1979)

Direção: Roberto Gervitz, Sérgio Toledo

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São Paulo, 1978. Três chapas disputam a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o maior da América Latina, com 300.000 associados, e presidido por um ‘pelego’, desde o golpe militar de 1964. Em meio às eleições, eclodem as primeiras greves operárias que iriam mudar o país. “Braços Cruzados Máquinas Paradas’ revela, em narrativa envolvente, como funciona a estrutura sindical brasileira, de inspiração fascista. É também o primeiro documentário de longa-metragem sobre as chamadas ‘greves espontâneas’, ocorridas em São Paulo, 10 anos após a decretação do AI-5. Tais greves, que culminaram em um amplo movimento social que traria de volta a democracia ao país, estão na base dos acontecimentos que levaram à eleição do primeiro presidente operário da América Latina.

57. Conversas no Maranhão (1983)

Direção: Andrea Tonacci

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Realizado entre os anos de 1977 e 1983, Conversas no Maranhão nasceu do contato do diretor e fotógrafo Andrea Tonacci com os índios Canela Apãniekra nos anos 1970. Mais do que um documentário, o filme se tornou um manifesto da tribo ao governo brasileiro, no momento em que suas terras eram demarcadas pela Funai.

58. Soy Cuba, O Mamute Siberiano (2005)

Direção: Vicente Ferraz

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No início dos anos 60 o diretor soviético Mikhail Kalatozov, juntamente com uma equipe de 200 pessoas, rodou em Cuba a superprodução “Soy Cuba”. A intenção original era que o filme fosse uma poderosa arma de divulgação sobre a revolução cubana, mas ele terminou sendo ignorado após sua estréia em Havana e em Moscou. O filme ficou então desconhecido para o ocidente até a década de 90, quando foi descoberto pelos diretores Martin Scorsese e Francis Ford Coppola. O documentário apresenta depoimentos dos atores e técnicos sobreviventes de “Soy Cuba”, mostrando o contraste entre as culturas cubana e eslava.

59. Estamira (2004)

Direção: Marcos Prado

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“Estamira” é a história de uma mulher de 63 anos que sofre distúrbios mentais e que durante 20 anos viveu e trabalhou no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho. Carismática e maternal, Dona Estamira convive com um pequeno grupo de catadores idosos num local renegado pela sociedade, que recebe diariamente mais de oito mil toneladas de lixo produzido no Rio de Janeiro.

60. Guerra do Brasil – Toda verdade sobre a guerra do Paraguai (1987)

Direção: Sylvio Back

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Entre 1864 e 1870, a América do Sul é palco do maior e mais sangrento conflito armado do século, conhecido como a “Guerra do Paraguai”, ou “Guerra Grande”, para os paraguaios. Misturando realidade e ficção, o doc debate este “ensaio” da I Guerra Mundial, que envolveu Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, vitimando em torno de um milhão de pessoas. No filme entrelaçam-se a história oficial, o imaginário popular e a crítica de militares, cronistas e historiadores, articulado a um complexo painel iconográfico e musical, e a um resgate visual do teatro de operações no Paraguai.